Especial autopublicação – Por que publicar independente de editora?

Decidi fazer uma série de posts sobre autopublicação pois, como alguns sabem, optei livremente por este método em 2009, quando comecei minha caminhada pelo universo dos escritores – e não me arrependi nem um dia, ainda.

Inicialmente, é importante entender por que prefiro a palavra AUTOPUBLICAÇÃO ao invés de publicação independente: o independente dá a entender que o autor é autossuficiente, o que não é verdade. O escritor precisa de auxílio profissional para colocar no mercado um livro bom, não basta seu talento. Precisa de capista, revisor, diagramador, etc. Mesmo que ele consiga fazer quase tudo sozinho, acho que os autores realmente independentes devem ser a exceção, não a regra.

Autopublicar é lançar seu livro sem o intermédio de agentes literários ou editoras. Essa é a minha definição, que a Wikipedia me desculpe. Nesse modelo de publicação, o autor é a própria editora – ele tem que fazer o livro chegar ao público sozinho. Quando pensei em escrever meu primeiro original achava que isso era impossível, que não haveria credibilidade para meu produto, que não seria profissional. Estava mais errada do que certa, pois a autopublicação é realidade há algum tempo e não desmerece em nada o valor da obra.

Não é segredo nem difícil de perceber que o mercado editorial é, antes de tudo, mercado. Editoras são empresas que visam, como toda empresa, estabilidade e lucro. Não se produz livros por amor à literatura, isso é utopia. Se uma editora quer lucrar, o que não tem nada de errado, ela não vai se arriscar deliberadamente o tempo todo, lançando produtos que não são vendáveis, que não têm público, que não possuem mercado. Ou seja, editoras não estão loucas para publicar autores desconhecidos de obras sem qualquer destaque.

Daí surge a pergunta: se minha obra precisa de destaque para conseguir ser vista por uma editora e se, para conseguir destaque, minha obra precisa ser publicada, o que eu faço?

Existem opções. O escritor pode escolher publicar por uma editora por demanda e financiar todo o custo de produção. Fica muito caro, há notícias de editoras cobrando mais de R$20.000,00 (vinte mil reais) por uma tiragem de 1500 livros. Isso sem qualquer suporte de marketing – promoção, divulgação e eventos ficam todos por conta do autor, também. Essa foi a minha primeira opção, porém não podia pagar os valores que me eram cobrados. Achei, também, que seria a escolha mais aceitável – e estava enganada.

A segunda opção é montar o livro – capa, revisão, diagramação, etc – e imprimi-lo em uma gráfica, sem selo editorial. Foi assim que fiz com meu primeiro livro, O Segredo de Esplendora – A Origem. Gastei bem menos do que pedido pela editora e o produto me agradou muito. Mas meu problema começou na distribuição – as livrarias não gostam de fechar com autores autopublicados. Não consegui, por diversos motivos, colocar minha obra nas prateleiras e até hoje vendo-a pelo boca a boca. Muito difícil.

Isso se não contar que O Segredo de Esplendora é uma trilogia e nem de longe consigo repetir a façanha de imprimir os livros 2 e 3. Foi um tiro no pé, literalmente. Mas errando se aprende, certo?
As vitrines literárias são boas opções para quem não dispõe de recursos para imprimir pequenas tiragems e não quer cometer os mesmos erros que eu. Posso citar agora Clube de Autores, AgBook (que é a mesma coisa), Bookess e PerSe. Essas vitrines têm a vantagem de fornecer alguns serviços – pagos, claro, como ISBN e revisão, além de funcionarem como loja virtual para comercializar livros impressos e digitais.

Mas como são caras. Os livros vendidos por elas são bem acima do valor de mercado de obras similares vendidas em outras lojas virtuais, sem contar que os fretes são absurdos. E o autor continua sem qualquer auxílio de divulgação.

A última opção que pretendo mencionar agora foi minha escolha para as três últimas obras, e será para todas as próximas que vierem no ano de 2014, pelo menos: a Amazon Brasil. No exterior, os autores autpublicados contam com ferramentas das grandes livrarias para vender diretamente seus livros, mas o Brasil possui apenas a Amazon. Lá você se cadastra como escritor no programa Kindle Direct Publishing e faz sozinho o upload de capa e livro, além de configurar preço e royalties, que podem ser de 35% ou 70%. E seu livro é vendido no mundo inteiro, porém sem tradução.

A desvantagem é a impossibilidade de vender seu livro impresso. A Kindle Direct Publishing vende livros digitais para leitor Kindle ou apps de tablets e smartphones, somente.

A Amazon é, para mim, a revolução da autopublicação. Os mais céticos dirão que livros digitais não vendem no Brasil, que o autor continua sem auxílio em divulgação, e tudo isso é meia verdade. Ainda há grande preferência por livros impressos – mas diria que isso funciona no mundo todo – e a divulgação sempre ficará por conta do escritor, porém nada disso tira os holofotes do sistema mais bem estruturado para autopublicação que conheço.

Para saber quem anda publicando por lá, uma visita à página de autores contemporâneos é uma boa pedida. Nomes como Vanessa Bosso e Josy Stoque vem se destacando e já têm obras traduzidas, gratuitamente, pela própria Amazon, para o Inglês, e as duas são autopublicadas por vontade própria. Tem muita gente boa que escolheu a Amazon como plataforma de publicação e a tendência é o crescimento dessa modalidade nos próximos anos.

Mais sobre autopublicação em um próximo post.

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