Por que escrevemos séries?

A modinha é mesmo uma coisa interessante. O fenômeno da massificação da literatura de fantasia, que tenho certeza iniciou-se em 2005 com a saga Crepúsculo, gerou uma enxurrada de livros do mesmo gênero, e, pasmem, um melhor do que outro. Claro que, em determinado momento, isso vai cansar. Autores que só sabem escrever sobre fantasia devem ser preparar para a massificação de outro fenômeno que possa substituir essa onda vampiresca (angelical, demoníaca, monstruosa) que domina a literatura atual. Mas, por enquanto, ainda estamos na onda dos seres sobrenaturais.

O que me surpreendeu recentemente foi ver que o leitor já cansou – alguns, ao menos, não querem mais saber de séries. Os livros seriados, que te prendem em uma leitura longa de vários volumes, está começando a desestimular os leitores que usualmente devoram livros. Será mesmo?

Bem, eu não me importo se os livros são em série ou não, desde que sejam bons e sustentem a sua longevidade. Há histórias que deveriam ter acabado há tempos, mas continuam produzindo frutos. Há histórias que acabaram e me deixaram com água na boca – porque eu queria muito mais, e não terei. De qualquer forma, eu sei que, uma hora, toda história tem que acabar. Então, séries muito longas me incomodam, mas só porque visualizo algo além da necessidade de repartir a história em vários livros – visualizo o apego comercial à vendagem de livros, à tentativa de manter acesa uma história que foi um sucesso.

Mas eu criei esse post exatamente porque, em pelo menos três resenhas do meu livro, percebi que pessoas se mostraram insatisfeitas com o fato de O Segredo de Esplendora ser uma série, e senti necessidade de explicar os motivos que me levaram a escrevê-la. Provavelmente, essa será minha única série, já que os outros livros que estão “no prelo”, Sequestrados e Quando o Verão se For, são volumes únicos. Mas gostaria de parar para considerar os motivos que me levaram a escrever uma série.

Não foi modinha. Nem ambição de ganhar mais dinheiro – entendam, sou autora independente, eu não ganho dinheiro com minha obra. Eu só gasto dinheiro com ela, para divulgá-la e para colocá-la em circulação. Inexiste incentivo para autores independentes, a não ser da parte de blogueiros independentes, que se dedicam a alavancar a literatura nacional. Então, escrever O Segredo de Esplendora foi parte de um sonho (pesadelo?) que se tornou realidade, e que, quando percebi, estava com mais de 1000 páginas de história.

Foi exatamente esse o motivo de dividir uma história em uma série de três livros. Eu teria mais de 1300 páginas de história, no total, e duvidei que alguém fosse ler um livro fantástico desse tamanho. Principalmente de uma autora desconhecida. E de uma história já teoricamente “batida” (afinal, a simples menção da presença de um vampiro na minha história já causa arrepios em alguns). Então, fiz uma divisão de O Segredo de Esplendora em três livros, para evitar envolver o leitor em uma enciclopédia.

E você, escritor? Você gosta de escrever em séries? Gosta de ler séries? Ou acha que dividir livros é apenas uma tática comercial para vender mais?

Anúncios